Em grupo para entender o universo e extrair a história a traduzir em logo.
Este atelier propõe uma abordagem coletiva e sensível da criação de identidade visual. Através da troca, da escuta e da observação, cada participante é guiado para revelar uma história única e transformá-la em linguagem gráfica.
Atelier realizado no Lab Boîte · incubadora de jovens empreendedores · 2020 · Projeto Design After Coffee, Cris Duarte.
A história primeiro
Cada logo nasce de uma história. A de uma pessoa, de um ofício, de uma trajetória ou de uma visão. Algumas marcas se tornam atemporais porque carregam um conceito forte, capaz de atravessar o tempo.
Nike encarna o movimento e a superação.
Apple simboliza a simplicidade e o pensar diferente.
Amazon evoca o infinito, a conexão e o acesso a tudo.
Coca-Cola transmite uma emoção universal, ligada ao compartilhar e à memória coletiva.
Por trás de cada símbolo, há uma intenção clara, uma narrativa profunda e uma visão coerente. Neste atelier, procuramos essa história. A que faz sentido, que ressoa, e que pode se tornar o seu símbolo.
O atelier, em grupo
O atelier de logo em três etapas
Etapa 1
Escutar. Tomar um café. Desacelerar. Escutar profundamente para observar. Chegar a esse espaço onde o potencial é mais forte, mantendo a mente e o coração abertos.
Filtrar. Extrair as palavras-chave que definem a personalidade. Clarear, simplificar, revelar o essencial.
Desacelerar, depois filtrar
Etapa 2
Conectar. Criar um vínculo entre a história e uma forma. Fazer emergir um conceito e uma figura gráfica coerente.
Criar. Conectar-se à intuição para prototipar. Dar forma ao que emerge, através de tentativas vivas inspiradas na história. A tecnologia e a inteligência artificial entram como ferramentas de exploração, para abrir novos caminhos, acelerar o processo e enriquecer as possibilidades. Mas elas nunca substituem o essencial: a intuição, a sensibilidade e a visão humana por trás de cada criação.
Etapa 3
Servir. Apresentar com confiança e intenção, sem deixar de escutar. Aceitar as percepções: algumas serão doces, outras mais amargas. Encontrar o equilíbrio, sempre.
Símbolos que nascem de um território
Ao redor de Clermont-Ferrand, várias marcas e emblemas seguem a mesma lógica do atelier: partir de um elemento concreto do território e carregá-lo de sentido.
Clermont-Ferrand
Bibendum · Michelin
Em 1898, André Michelin viu uma pilha de pneus e disse que "só faltavam braços" para virar gente. O desenhista O'Galop transformou a ideia num homem feito de pneus, batizado com a frase latina Nunc est bibendum ("agora é hora de beber"): um brinde que virou metáfora, os pneus "engolem" os obstáculos da estrada. Bibendum encarna a resistência e o avanço, nascido da fábrica de pneus mais antiga da Auvergne.
Auvergne
Volvic
A marca recolocou o vulcão no centro do símbolo, não como cenário, mas como origem: a água nasce filtrada por rochas vulcânicas centenárias. O vulcão vira metáfora de pureza que atravessou o tempo geológico antes de chegar à garrafa.
Chaîne des Puys
Vulcania · Pitoufeu
Parque temático no coração da Chaîne des Puys: você entra para se divertir e sai sabendo como os vulcões funcionam. O mascote, Pitoufeu, uma chaminha, faz a ligação. Quando uma criança vê uma comunicação com ele, já diz na hora "Pitoufeu!": o nome conecta direto a marca e o lugar. É isso, a conexão humana com a marca.
Brasão histórico
O gonfanon de Auvergne
Bandeira vermelha com franjas verdes sobre fundo dourado, adotada pelos Condes de Auvergne no século XII, ligada às Cruzadas. Um símbolo que carrega pertencimento e resistência medieval: a marca de um território que se defendeu e se afirmou.
Graphéine · 2017
A Região Auvergne-Rhône-Alpes
No início de 2017, a Auvergne se funde com a Rhône-Alpes. A Graphéine cria um logo que resume em três traços os três símbolos do território: os cumes dos Alpes, os vulcões da Auvergne e o rio Ródano. Um signo que conta uma geografia compartilhada e complementar, base de uma arquitetura de marca em quatro níveis.
Auvergne · Lyon
En Vrai
Menos um símbolo gráfico e mais um conceito-símbolo: o nome "En Vrai" ("de verdade") comunica autenticidade regional, sem rodeio. A ideia virou a própria marca, sustentada pela palavra mais que por uma figura.
Um fio comum: cada um nasce de um elemento físico do território (um pneu, um vulcão, uma rocha, uma bandeira, uma batalha) que vira metáfora emocional. É exatamente isso que a gente procura no atelier.
Toda pessoa que tem um produto ou um serviço na região merece um símbolo que seja só seu: um signo que a gente cruza e que, na hora, lembra você. É pra isso que este atelier existe: descobrir qual é o seu.
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